#32 Ponte de Nossa Senhora da Guia

A Ponte de Nossa Senhora da Guia localiza-se na EN 201, no concelho de Ponte de Lima. Inaugurada em 1980 e projectada em 1973, possuí como peculiaridade ser das primeiras obras em Portugal a ser executada pelo método dos avanços sucessivos. Aproveitando alguns excertos do projecto original:

“A ponte, dotada de dois planos verticais de simetria, um longitudinal e outro transversal, é uma estrutura de tabuleiro contínuo, com cinco tramos simétricos de altura variável, de betão longitudinalmente pré-esforçado e transversalmente só armado, apoiado em quatro pilares centrais, de betão maciço armado apenas com armaduras de pele, e em encontros de betão armado.”

“Cada um dos tramos centrais tem o vão teórico de 58,00 m e cada um dos laterais o de 38,00 m, sendo pois de 250,00 m o comprimento teórico total da ponte.”

Curiosidade sobre a ponte (FEUP / LABEST):

“(…) Em Outubro de 1980 o co-autor do projecto comunicou ao Director de obra que havia detectado um lapso nos cálculos do tabuleiro, o qual deu lugar ao sub-dimensionamento das armaduras transversais e que este assumia todas as responsabilidades para a resolução do assunto. A ponte, inicialmente classificada com a classe A (veículo de 60 ton), em termos de classe de sobrecarga, só poderia ser classificada de classe C (veículos de 30 ton) devido à insuficiência de armadura na laje superior. A seriedade da situação era acrescida pelo facto de já estar agendada a abertura oficial do tráfego. A partir dessa data foram desenvolvidos todos os esforços para encontrar soluções viáveis para a resolução dessa anomalia. A Direcção da obra teve, então, que decidir sobre a abertura ao tráfego da ponte, optando por uma de três possibilidades:

• proceder à abertura da ponte, dentro de certas limitações;

• adiar a abertura da ponte;

• abrir ao tráfego sem quaisquer limitações.

A escolha recaiu sobre a primeira opção, resultando na limitação do tráfego a veículos de 25 ton e com um máximo de 10 ton por eixo. Assim, no dia 15 de Agosto de 1980 era inaugurada a Ponte de Nossa Senhora da Guia, cuja designação havia sido aprovada pelo Ministro da Habitação e Obras Públicas em 1 de Agosto desse ano.

 Foi nessa época que se detectaram fissuras na parte inferior da laje superior do tabuleiro da ponte. A JAE tomou então medidas cautelares quanto ao comportamento da obra, tendo decidido que até 31-12-83 deveriam ser feitas inspecções diárias aos testemunhos colocados sob as lajes, entre almas, colocando novos testemunhos com gesso logo que algum deles se apresentasse fendilhado.

 Mais tarde, em 27 de Julho de 1983, a Direcção dos Serviços de Pontes solicitava ao Director do Laboratório de Resistência de Materiais da FEUP a realização de ensaios que permitissem determinar, de modo experimental, o comportamento da laje do tabuleiro entre as almas do caixão. Os ensaios de carga realizados sob a orientação do Prof. Joaquim Sampaio, em 4 de Agosto de 1983, revelavam que o comportamento da laje era satisfatório, praticamente elástico para as cargas utilizadas, idênticas às máximas regulamentares. Face a estes resultados, a Divisão de Construção decidiu, em 16 de Dezembro de 1983, retirar as limitações de carga existentes.(…)”

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